A voz, que vem de bem longe embora pareça vir mesmo de dentro de mim, ecoa imperativa.
Levanto, passo meu café - hoje - bem forte e amargo, que é para combinar com meu dia e com minha aparência.
Sento em meio a sujeira da varanda e penso se acendo um cigarro. Acendo.
Meu corpo recusa o gosto da nicotina, embora minha mente relaxe no emaranhado de fumaça e poluição. Cinzas.
Acendo mais um.
Tento não pensar em nada. De repente, percebo que estou esvaindo pelo ralo e saio com pressa.
Caminho cambaleante e, na cozinha, equilibro a xícara na pilha de quinquilharias por lavar. Preciso me lavar.
Resisto à cama que me intima sedutora. Me arrasto até o chuveiro. Uma enorme dúvida inunda minha vida: quente ou frio?
Opto pelo primeiro com esperança de que aqueça também minha'alma.
6 de setembro de 2011
21 de março de 2011
A quem interessar possa
Não admito julgamentos inconsequentes,
nem opiniões infundadas advindas dos ciúmes.
Não admito que me tomem o leme do barco,
do meu barco!
Não gosto da fraqueza da insegurança,
do apego sufocante.
Tenho asco da posse arrebatada,
da exigência absoluta.
Tenho meu eu guardado só para mim.
Não divido com os outros.
NÃO D-I-V-I-D-O!
O eu é meu, logo, mando, desmando e desvio, quando julgo ser assim ou assado.
Amo os meus,
amo mesmo!
Mas do meu jeito,
com meu modo torto de amar.
Amo por vezes, com ímpetos de idolatria
ou com a alegria de um sabiá ou ainda,
com a obscuridade de um vilão ressentido.
Mudo!
Sou essa que observas e depois, outra.
E ainda outra e mais outra.
Dou-me o direito!
De mudar, de mudar, de mudar, de mudar...
A essência, essa sim permanece.
O amor verdadeiro, de cá não sai.
Confia!
Do contrário, não me conheces de fato.
Nem quando sou essa uma
ou a outra
ou a outra
ou a outra...
nem opiniões infundadas advindas dos ciúmes.
Não admito que me tomem o leme do barco,
do meu barco!
Não gosto da fraqueza da insegurança,
do apego sufocante.
Tenho asco da posse arrebatada,
da exigência absoluta.
Tenho meu eu guardado só para mim.
Não divido com os outros.
NÃO D-I-V-I-D-O!
O eu é meu, logo, mando, desmando e desvio, quando julgo ser assim ou assado.
Amo os meus,
amo mesmo!
Mas do meu jeito,
com meu modo torto de amar.
Amo por vezes, com ímpetos de idolatria
ou com a alegria de um sabiá ou ainda,
com a obscuridade de um vilão ressentido.
Mudo!
Sou essa que observas e depois, outra.
E ainda outra e mais outra.
Dou-me o direito!
De mudar, de mudar, de mudar, de mudar...
A essência, essa sim permanece.
O amor verdadeiro, de cá não sai.
Confia!
Do contrário, não me conheces de fato.
Nem quando sou essa uma
ou a outra
ou a outra
ou a outra...
3 de setembro de 2010
ATO 1 - MÚSICA
Ela tem seus cd's,
que não ouve mais.
As músicas ficam guardadas num pen-drive,
junto com o que resta dela.
As músicas são sempre as mesmas.
Ela tem preguiça do novo.
Mas tédio do dia-a-dia!
ATO 2 - LIVROS
Ela tem seus livros velhos e mofados,
que não lê mais.
Os textos ficam no nootebook,
junto com a sua alma.
Os textos não são mais os mesmos.
Ela tem medo do passado.
Lê livros de auto-ajuda!
ATO 3 - OS BATONS
Ela tem suas bebidas, seus batons,
que já não usa mais.
A vida fica guardada na prateleira do freezer,
junto com seu corpo.
A carne ainda é a mesma.
Ela tem medo do futuro!
Não sabe mais chorar...
FECHAM-SE AS CORTINAS!
Ela tem seus cd's,
que não ouve mais.
As músicas ficam guardadas num pen-drive,
junto com o que resta dela.
As músicas são sempre as mesmas.
Ela tem preguiça do novo.
Mas tédio do dia-a-dia!
ATO 2 - LIVROS
Ela tem seus livros velhos e mofados,
que não lê mais.
Os textos ficam no nootebook,
junto com a sua alma.
Os textos não são mais os mesmos.
Ela tem medo do passado.
Lê livros de auto-ajuda!
ATO 3 - OS BATONS
Ela tem suas bebidas, seus batons,
que já não usa mais.
A vida fica guardada na prateleira do freezer,
junto com seu corpo.
A carne ainda é a mesma.
Ela tem medo do futuro!
Não sabe mais chorar...
FECHAM-SE AS CORTINAS!
Enigma do dia
Tenho pressa de chegar do lado de lá do texto.
Sei que, minhas pernas - curtas e pesadas -
Percorrem a página devagar, devagarinho...
Escreve torto, meu pé pequeno,
na linha frágil da página
que ainda não foi virada.
Com o pé, pois não há mãos suficientemente fortes
Para cravar em letras "xilografadas"
o que ainda não foi dito
Por mim...
Quanto mais confuso, o negro da página,
Mais perto me sinto da claridade dos pensamentos.
Os meus sim.
Os seus não!
Porque escrever com o pé,
Nas páginas de um texto inventado,
Não faz sentido!
As palavras simplesmente saem.
Vomito-as com ânsia e pressa!
Não falo pra ti,
Não falo pra ninguém,
o que tudo isso quer dizer...
Somente crio enigmas!
Sei que, minhas pernas - curtas e pesadas -
Percorrem a página devagar, devagarinho...
Escreve torto, meu pé pequeno,
na linha frágil da página
que ainda não foi virada.
Com o pé, pois não há mãos suficientemente fortes
Para cravar em letras "xilografadas"
o que ainda não foi dito
Por mim...
Quanto mais confuso, o negro da página,
Mais perto me sinto da claridade dos pensamentos.
Os meus sim.
Os seus não!
Porque escrever com o pé,
Nas páginas de um texto inventado,
Não faz sentido!
As palavras simplesmente saem.
Vomito-as com ânsia e pressa!
Não falo pra ti,
Não falo pra ninguém,
o que tudo isso quer dizer...
Somente crio enigmas!
1 de junho de 2010
Achando culpados
Estive pensando, relembrando e passeando (como quem caminha pra lugar algum) pelos labirintos do meu passado.
E nessas divagações complexas e um tanto desconexas, cheguei desconfiada (nunca chego a lugar algum), nessa inconclusa teoria de que “estudar as palavras” me afasta delas...
E sim, sim... É uma teoria (apesar, de inconclusa), de bastante relevo e causa, até de discussões mais aprofundadas, mas... Como explicar?...
É que...
Lembro-me bem (como andar de bicicleta), que anteriormente ao curso de Letras, gostava mais das palavras (como ainda gosto), mas para ainda além dessas daí...
Gostava das minhas palavras, dos meus dizeres, dos meus manuscritos, dos meus rabiscos, dos meus emaranhados de textos digitados e publicados (ou não).
E lembro-me que não era tão raro (como agora), ter vontade de escrever sobre nada (e tudo), sobre o ser (e o não ser) de estar aqui (ou acolá).
Lembro-me bem...
Hoje tenho preguiça dos meus textos, vergonha do que são, pena dessa auto-piedade piegas e “chula” de escritor decadente...
Irrito-me facilmente com esse marcador do Word, que pisca sem parar... Por que cobra-me tanto palavras imediatas?... “Até tu, Brutus?”.
Tenho vontade de protestar, ser ridícula: terminar o texto por aqui, pronto, sem ponto, sem final...mas meu orgulho de criança mimada, de “pseudo-tudo-clichê”, não me deixa.
Afinal, preciso publicá-lo, acariciar meu ego literário!!!
E se agora, você, leitor desalmado (sim, cruel), chegou à conclusão que nada tem a ver minha falta de inspiração e talento com o “estudo das palavras”.
Por favor, cale-se! Não atreva-se!
Não sabe?...
Há sempre de haver um culpado...
E nessas divagações complexas e um tanto desconexas, cheguei desconfiada (nunca chego a lugar algum), nessa inconclusa teoria de que “estudar as palavras” me afasta delas...
E sim, sim... É uma teoria (apesar, de inconclusa), de bastante relevo e causa, até de discussões mais aprofundadas, mas... Como explicar?...
É que...
Lembro-me bem (como andar de bicicleta), que anteriormente ao curso de Letras, gostava mais das palavras (como ainda gosto), mas para ainda além dessas daí...
Gostava das minhas palavras, dos meus dizeres, dos meus manuscritos, dos meus rabiscos, dos meus emaranhados de textos digitados e publicados (ou não).
E lembro-me que não era tão raro (como agora), ter vontade de escrever sobre nada (e tudo), sobre o ser (e o não ser) de estar aqui (ou acolá).
Lembro-me bem...
Hoje tenho preguiça dos meus textos, vergonha do que são, pena dessa auto-piedade piegas e “chula” de escritor decadente...
Irrito-me facilmente com esse marcador do Word, que pisca sem parar... Por que cobra-me tanto palavras imediatas?... “Até tu, Brutus?”.
Tenho vontade de protestar, ser ridícula: terminar o texto por aqui, pronto, sem ponto, sem final...mas meu orgulho de criança mimada, de “pseudo-tudo-clichê”, não me deixa.
Afinal, preciso publicá-lo, acariciar meu ego literário!!!
E se agora, você, leitor desalmado (sim, cruel), chegou à conclusão que nada tem a ver minha falta de inspiração e talento com o “estudo das palavras”.
Por favor, cale-se! Não atreva-se!
Não sabe?...
Há sempre de haver um culpado...
3 de abril de 2010
Nada
Fique bem e quieto
Ande certo e sempre
No compasso do abraço
(do traço e do pulso).
Corte e coma
Colha e solte
(o fundo do rosto,
o raso do riso).
Pense e sinta
Despeje e acenda
(o fogo,
fúria,
desconexo,
descontextualizado).
De dentro.
Ande certo e sempre
No compasso do abraço
(do traço e do pulso).
Corte e coma
Colha e solte
(o fundo do rosto,
o raso do riso).
Pense e sinta
Despeje e acenda
(o fogo,
fúria,
desconexo,
descontextualizado).
De dentro.
6 de março de 2010
Essa tal de essência que às vezes não presta pra nada...
E não temo dizer que raramente me orgulho dessa percepção idiota para coisas que no final, me farão mal.
Você, alma masculina, talvez não entenda do que falo. Não entenda esse talento nato, barato, para me sensibilizar com coisas banais. Banais, sim! Mas que só se mostram assim no final do gole, amargo e ferino.
E eu que “me penso” tão sábia... Tão conhecedora dos "sim’s" e "não’s", dos amores e desamores da vida. Porque, como mulher, me vem sempre essa essência chata, incômoda, de me fazer crer que tudo (gestos, trejeitos e controvérsias) é dotado de poesia e delicadeza.
Que nada!
Um olhar pode ser simplesmente um olhar! E nada mais!
Pra que poetizar? Colocar reticências?...Encher de glamour inventado um ato comum?
E não me venham românticos de plantão, com seus caderninhos cor de rosa, com seus “ais” e ressalvas.
Hoje, quero a realidade mais que qualquer coisa.
Quero o gosto masculino de enxergar as coisas pelos olhos e só.
O coração que se apague e deixe de enxergar por umas horas, que seja.
Porque, às vezes, sentir demais cansa...
E não temo dizer que raramente me orgulho dessa percepção idiota para coisas que no final, me farão mal.
Você, alma masculina, talvez não entenda do que falo. Não entenda esse talento nato, barato, para me sensibilizar com coisas banais. Banais, sim! Mas que só se mostram assim no final do gole, amargo e ferino.
E eu que “me penso” tão sábia... Tão conhecedora dos "sim’s" e "não’s", dos amores e desamores da vida. Porque, como mulher, me vem sempre essa essência chata, incômoda, de me fazer crer que tudo (gestos, trejeitos e controvérsias) é dotado de poesia e delicadeza.
Que nada!
Um olhar pode ser simplesmente um olhar! E nada mais!
Pra que poetizar? Colocar reticências?...Encher de glamour inventado um ato comum?
E não me venham românticos de plantão, com seus caderninhos cor de rosa, com seus “ais” e ressalvas.
Hoje, quero a realidade mais que qualquer coisa.
Quero o gosto masculino de enxergar as coisas pelos olhos e só.
O coração que se apague e deixe de enxergar por umas horas, que seja.
Porque, às vezes, sentir demais cansa...
16 de novembro de 2009
E inicia-se uma nova etapa em minha vida.
Sinto na ponta dos pés, ou melhor, na ponta dos dedos gelados dos meus pés, que reclamam o frio do ar condicionado, que parece que ventila pro chão, mas não, sempre sinto frio nos pés, os pés são os verdadeiros catalisadores de minha temperatura corporal, sempre.
Mas não é isso! Sinto o frio, claro, mas sinto além, na ponta dos dedos dos pés, a ansiedade de tudo isso, de todo esse Novo, tão Novo, que atiça mais que curiosidade de frase de biscoitinho da sorte. Não tem graça, mas a gente come pra ler a frase. Sabe?...
É essa vontade de ler a frase, que tem me deixado ansiosa enquanto como o biscoito e, acho que é por isso, que fica sem graça...
Não é sempre que percebemos as mudanças em nossa vida, de repente você está deitada no sofá e (...), ta mudada! Pronto, você percebeu ali e agora, mas quando foi, quando começou ou terminou?...Enfim, não interessa, mudou e ponto.
Mas têm as mudanças planejadas, que causam um misto de “nada” e “sei lá o quê”, como: um curso novo, emprego novo, namoro, noivado, viagens, casamento, ca-sa-men-to...
Sinto na ponta dos pés, ou melhor, na ponta dos dedos gelados dos meus pés, que reclamam o frio do ar condicionado, que parece que ventila pro chão, mas não, sempre sinto frio nos pés, os pés são os verdadeiros catalisadores de minha temperatura corporal, sempre.
Mas não é isso! Sinto o frio, claro, mas sinto além, na ponta dos dedos dos pés, a ansiedade de tudo isso, de todo esse Novo, tão Novo, que atiça mais que curiosidade de frase de biscoitinho da sorte. Não tem graça, mas a gente come pra ler a frase. Sabe?...
É essa vontade de ler a frase, que tem me deixado ansiosa enquanto como o biscoito e, acho que é por isso, que fica sem graça...
Não é sempre que percebemos as mudanças em nossa vida, de repente você está deitada no sofá e (...), ta mudada! Pronto, você percebeu ali e agora, mas quando foi, quando começou ou terminou?...Enfim, não interessa, mudou e ponto.
Mas têm as mudanças planejadas, que causam um misto de “nada” e “sei lá o quê”, como: um curso novo, emprego novo, namoro, noivado, viagens, casamento, ca-sa-men-to...
Hoje quero o novo velho pedaço daquilo que teria jogado fora.
O novo, que pra mim, era velho antes.
Antes, antes, antes de vê-lo com outros olhos.
Com meus olhos velhos e cansados... De seis anos atrás!
Talvez mais...
Teria jogado fora, teria jogado.
Mas não joguei.
Mas não joguei tudo isso, tudo isso: porque sou libriana!
Libriana! Libriana! Libriana!
Que nada joga fora, que não joga fora nada,
Que nada, nada, nada...
O novo, que pra mim, era velho antes.
Antes, antes, antes de vê-lo com outros olhos.
Com meus olhos velhos e cansados... De seis anos atrás!
Talvez mais...
Teria jogado fora, teria jogado.
Mas não joguei.
Mas não joguei tudo isso, tudo isso: porque sou libriana!
Libriana! Libriana! Libriana!
Que nada joga fora, que não joga fora nada,
Que nada, nada, nada...
16 de julho de 2009
Tédio
Começa a aula. O ventilador ligado mesmo estando um frio de rachar os lábios, parece ser a peça chave para tornar o ambiente completamente insuportável.
A professora fala, fala, fala...sem parar.
Quem é essa pessoa? - me pergunto.
Estamos no final do período e se vi essa senhora cinco vezes, foi muito!
Apenas penso...
Somos ambas culpadas. Ora eu, ora ela a faltar às aulas e, creio, que as duas com os mesmos motivos: tudo é mais importante que vir pra cá. Qualquer coisa é álibi para um não comparecimento contínuo.
Será que pensamos da mesma forma?
Eu penso: "Saco! Não quero estar aqui, não é isso que quero para a minha vida. Essa não será minha profissão, mas é tarde, estou no fim da linha, apenas 6 meses para a tão sonhada formatura. Por que nos obrigam a decidir o que "seremos" no auge da nossa confusão como seres humanos? Por que a adolescência?...
Bom! Ao menos sinto uma motivação refrescante, pois, nesse ponto estou em vantagem: ela já é uma senhora, que julgo ter mais de cinquenta...o que não torna impossível, mas dificulta grandes mudanças...
Minha intenção é terminar isso aqui e ir embora, fazer algo completamente diferente, o que eu realmente quero!...
Mas...e se ela pensava assim quando tinha minha idade? E se os anos foram passando, passando, sem que ela se desse conta? E se não? E se isso acontecer comigo?...
Todos estão falando agora, uns falam com os outros freneticamente e ela, a professora, fala com as paredes, ou, por incrível que pareça, comigo, que parei nesse instante para ouví-la.
Me senti mal por ela.
Mas também não estou interessada. Passa!...
Fim da aula.
Sobre aquele filme...
Luz silenciosa
peito preso, pobre
beleza nobre.
Um filme em camera lenta
tenso, denso...
Luz silenciosa
que grita
agita
marca o peito
Dói, corta!
Sentimento engasgado
imagem congelada
do que não somos
na tela,
nunca seremos.
peito preso, pobre
beleza nobre.
Um filme em camera lenta
tenso, denso...
Luz silenciosa
que grita
agita
marca o peito
Dói, corta!
Sentimento engasgado
imagem congelada
do que não somos
na tela,
nunca seremos.
29 de junho de 2009
E em estado de profundo cansaço, eu, preguiçosamente, abri os olhos. Mas não olhei o teto, olhei para além do teto, a nata branca que saía de mim, sorrateira, rápida como uma névoa, se esvaiu pelo branco do gesso.
Daí eu tive cócegas do edredom e me despi dos panos, que cobriam com fogo escandaloso e vermelho, extremamente vermelho, meu corpo abastado de uma longa noite de não-sono, não-sonhos...
Corri para geladeira empapada de nada, de coisas sem gosto, sem forma, atrás de um frescor inexistente ali, um mínimo de bafo gelado para minha pele em chamas: tinha medo do assoalho, mas pisava o chão com a coragem de um desertor, queria mais que tudo, sair dali.
Corri para fora do meu interior, mais isso não bastava, pois a enxurrada (de pensamentos) afogava até a alma.
Pensei, portanto, que nada adiantaria. Nada me livraria do fatídico nó na garganta. E só eu sei, o que significava isso. Poucos sabem e decifram...
O nó veio e, eu, sentei: nua, fria, calada, sozinha.
Daí eu tive cócegas do edredom e me despi dos panos, que cobriam com fogo escandaloso e vermelho, extremamente vermelho, meu corpo abastado de uma longa noite de não-sono, não-sonhos...
Corri para geladeira empapada de nada, de coisas sem gosto, sem forma, atrás de um frescor inexistente ali, um mínimo de bafo gelado para minha pele em chamas: tinha medo do assoalho, mas pisava o chão com a coragem de um desertor, queria mais que tudo, sair dali.
Corri para fora do meu interior, mais isso não bastava, pois a enxurrada (de pensamentos) afogava até a alma.
Pensei, portanto, que nada adiantaria. Nada me livraria do fatídico nó na garganta. E só eu sei, o que significava isso. Poucos sabem e decifram...
O nó veio e, eu, sentei: nua, fria, calada, sozinha.
27 de abril de 2009
Eu não abro os olhos por medo do que virá
Eu mantenho-os fechados pelo o que não existe.
Eu sustento a ambigüidade das minhas dúvidas
hora sim, hora não.
Sinto medo do incerto e de pôr os pés no chão;
é voar e ter medo de avião .
Não cultivo o silêncio à toa:
Sinto pena do que Sinto
da minha indecisão
do meu orgulho dilatado
engasgado
em vão!...
Eu mantenho-os fechados pelo o que não existe.
Eu sustento a ambigüidade das minhas dúvidas
hora sim, hora não.
Sinto medo do incerto e de pôr os pés no chão;
é voar e ter medo de avião .
Não cultivo o silêncio à toa:
Sinto pena do que Sinto
da minha indecisão
do meu orgulho dilatado
engasgado
em vão!...
Colhi as falas dos sonhadores que me sondam;
o discurso dos que vivem de ilusão;
o bravar de quem grita a arte pra multidão!
Me senti cansada!
Cansada e humilhada por não ser...
por não ser nada.
Por não ter a arte na palma da mão,
fechar os olhos e não ver idéias,
criatividade,
esplosão!!!
Nada, nada, nada...
Senti raiva dos artistas,
músicos,
palhaços,
pintores,
cantores,
artesãos,
escritores,
pensadores e de todos os "etceteras".
o discurso dos que vivem de ilusão;
o bravar de quem grita a arte pra multidão!
Me senti cansada!
Cansada e humilhada por não ser...
por não ser nada.
Por não ter a arte na palma da mão,
fechar os olhos e não ver idéias,
criatividade,
esplosão!!!
Nada, nada, nada...
Senti raiva dos artistas,
músicos,
palhaços,
pintores,
cantores,
artesãos,
escritores,
pensadores e de todos os "etceteras".
Para a melhor amiga
Doce menina que sorri da falta de graça da vida!
Corre contra tudo e contra todos, odeia não se sentir amada, quando na verdade busca o "não-amor" - coisas dela...
Finge a vida quando quer e ao acordar, chora pelo o que não existiu.
Sente que não é compreendida, mas é a lei da vida, pra todos nós, sempre te disse, cara amiga.
Não que eu saiba o caminho, eu que, tantas vezes no seu cólo chorei por conta dos meus "descaminhos"... Mas de uma coisa sei, que bom que você, por mais que tente, não muda!
Quebra a cara, é uma chorona, carrancuda! Sempre... Porém, sabe provar o fél que o mundo oferece com a irônia de um pirata - sendo mulher! - navega por mares obscuros e sempre retorna ao "de rosas"..
Mar de rosas, que te causa monotonia (eu sei). Da vida queres o extremo, a mudança.
Só não mude
Você,
não mude...
Corre contra tudo e contra todos, odeia não se sentir amada, quando na verdade busca o "não-amor" - coisas dela...
Finge a vida quando quer e ao acordar, chora pelo o que não existiu.
Sente que não é compreendida, mas é a lei da vida, pra todos nós, sempre te disse, cara amiga.
Não que eu saiba o caminho, eu que, tantas vezes no seu cólo chorei por conta dos meus "descaminhos"... Mas de uma coisa sei, que bom que você, por mais que tente, não muda!
Quebra a cara, é uma chorona, carrancuda! Sempre... Porém, sabe provar o fél que o mundo oferece com a irônia de um pirata - sendo mulher! - navega por mares obscuros e sempre retorna ao "de rosas"..
Mar de rosas, que te causa monotonia (eu sei). Da vida queres o extremo, a mudança.
Só não mude
Você,
não mude...
Para o maior amor...
O garoto do violão. Sempre será, agora é!
É mais fácil descrevê-lo (se isso for possível) em termos musicais, que de qualquer outra forma. Não possui uma fôrma. Troca a casca, mas não o fruto. Muda e é o mesmo.
Toca (com seus acordes pessoais) os que o cercam. E isso causa-me calafrios de ciúmes (bons e intensos), uns tremores que vão da boca à espinha dorsal. É, de fato, um ser especial.
Às vezes, sofre a sua "desto'-'ânsia" de existir (por si próprio e pelos outros), porque sente, em certas ocasiões, para além d'alma. Difícil de explicar (e de entender), talvez nem ele mesmo o faça. Mas faz-se assim completo! Como na música, é esse o seu conjunto - aglomerado de "eles-mesmo": um ser especial...
É mais fácil descrevê-lo (se isso for possível) em termos musicais, que de qualquer outra forma. Não possui uma fôrma. Troca a casca, mas não o fruto. Muda e é o mesmo.
Toca (com seus acordes pessoais) os que o cercam. E isso causa-me calafrios de ciúmes (bons e intensos), uns tremores que vão da boca à espinha dorsal. É, de fato, um ser especial.
Às vezes, sofre a sua "desto'-'ânsia" de existir (por si próprio e pelos outros), porque sente, em certas ocasiões, para além d'alma. Difícil de explicar (e de entender), talvez nem ele mesmo o faça. Mas faz-se assim completo! Como na música, é esse o seu conjunto - aglomerado de "eles-mesmo": um ser especial...
O que não foi canção
Te fotografei
do início ao fim de tudo que eu olhei
Eu sei
sua paisagem não foi feita para mim...
Mas e se eu revelar
em filmes pretos/brancos (se eu variar?)
seu corpo pelo avesso conseguir virar
será que um dia eu mudo esse fim?...
Te guardei
corpo e (em) forma e até cheiro
eu guardei
na moldura do meu quarto eu deixei
"um olhar
triste
fixo em mim..."
do início ao fim de tudo que eu olhei
Eu sei
sua paisagem não foi feita para mim...
Mas e se eu revelar
em filmes pretos/brancos (se eu variar?)
seu corpo pelo avesso conseguir virar
será que um dia eu mudo esse fim?...
Te guardei
corpo e (em) forma e até cheiro
eu guardei
na moldura do meu quarto eu deixei
"um olhar
triste
fixo em mim..."
Saindo do Metrópolis
Luz silenciosa
Peito preso, pobre
Beleza nobre.
Um filme em câmera lenta
tenso, denso.
Luz silenciosa
que grita
agita
marca o peito
Dói fundo, corta!
Sentimento engasgado
imagem congelada
do que somos
ou do que
nunca seremos...
Peito preso, pobre
Beleza nobre.
Um filme em câmera lenta
tenso, denso.
Luz silenciosa
que grita
agita
marca o peito
Dói fundo, corta!
Sentimento engasgado
imagem congelada
do que somos
ou do que
nunca seremos...
12 de fevereiro de 2009
Insônia Mim-metizada
Ah! Agora essa insônia de mim mesma, que chega as quatro da manhã. E de mim mesma não há como fugir; não dessa forma, que me força a olhar (nessa madrugada!), pra trás, pra frente e pro chão.
Joga na cara os dias esquecidos e vai vencendo, a cada neurônio, o cansaço do corpo em repouso. Não resisito mais! Penso...
E começo pelo ontem: passado precoce, presente ainda (dessa vida em curta, curta vivida), que se confunde entre o soluço do que foi e o sorrisinho de canto de lábio que começa a ser.
Agora sorrio. Aos cantos.
Ter medo de sorrir? Sorrir por completo? (Desperto totalmente, a cama me expulsa).
Sorrisinho de canto de lábio, sim!
Quisera eu não ter medo do presente em decorrência do passado. Quisera ter um estilo chistoso, viver o hoje e ponto. Quisera tantas coisas!...
Essa insônia que é incoveniente, vem me lembrar desse meu modo de sorrir, me fazer incômoda, sem lugar. Modo esquisito, modo torto e... Que mal há nisso? De canto do lábio, mas melhor que nada (?) ... * Pausa e vazio.
É preciso dormir, cansei de mim por hoje, por essa madrugada. E no mais, haverá carnaval: de auto-piedade e serpentina, sorriso "xoxo" e confete, insônia e pierrot...
Joga na cara os dias esquecidos e vai vencendo, a cada neurônio, o cansaço do corpo em repouso. Não resisito mais! Penso...
E começo pelo ontem: passado precoce, presente ainda (dessa vida em curta, curta vivida), que se confunde entre o soluço do que foi e o sorrisinho de canto de lábio que começa a ser.
Agora sorrio. Aos cantos.
Ter medo de sorrir? Sorrir por completo? (Desperto totalmente, a cama me expulsa).
Sorrisinho de canto de lábio, sim!
Quisera eu não ter medo do presente em decorrência do passado. Quisera ter um estilo chistoso, viver o hoje e ponto. Quisera tantas coisas!...
Essa insônia que é incoveniente, vem me lembrar desse meu modo de sorrir, me fazer incômoda, sem lugar. Modo esquisito, modo torto e... Que mal há nisso? De canto do lábio, mas melhor que nada (?) ... * Pausa e vazio.
É preciso dormir, cansei de mim por hoje, por essa madrugada. E no mais, haverá carnaval: de auto-piedade e serpentina, sorriso "xoxo" e confete, insônia e pierrot...
10 de fevereiro de 2009
Tem palhaço que dá medo
Pinta a cara em cor viva
Mas o olhar continua morto
Faz graça, estripulia, rodopia
Mas olha feio, olha torto, olha cortando
E eu, decifro é pelo olhar
Ouço, falo, sinto amor, medo - só pelo olhar
E todos são (...). Somos assim!
Abram as cortinas
Entrem os malabaristas, as dançarinas
Corram pelo palco e me façam rir
Mas não tragam os palhaços
Não aqueles...
Os de olhos macambúzios, sanguinários;
Os que me dão medo.
Eles...
Pinta a cara em cor viva
Mas o olhar continua morto
Faz graça, estripulia, rodopia
Mas olha feio, olha torto, olha cortando
E eu, decifro é pelo olhar
Ouço, falo, sinto amor, medo - só pelo olhar
E todos são (...). Somos assim!
Abram as cortinas
Entrem os malabaristas, as dançarinas
Corram pelo palco e me façam rir
Mas não tragam os palhaços
Não aqueles...
Os de olhos macambúzios, sanguinários;
Os que me dão medo.
Eles...
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